Florística e fitossociologia de um fragmento de floresta montana na Serra do Valentim, Iúna, Espírito Santo

Florística e fitossociologia de um fragmento de floresta montana na Serra do Valentim, Iúna, Espírito Santo

Por: João Paulo Fernandes Zorzanelli.
Orientador: Aderbal Gomes da Silva.
Defendida em: 30/08/2012.

Resumo:

O objetivo deste trabalho foi listar as espécies ocorrentes numa porção da Serra do Valentim, no município de Iúna, ES e analisar a estrutura da composição lenhosa de um trecho de Floresta Montana, bem como verificar a similaridade florísitica do conjunto de espécies. Para tanto, foram realizadas excursões a campo durante um ano, sendo coletados materiais reprodutivos dos componentes arbóreo, arbustivo, herbáceo, epifítico e lianescente. A estrutura da vegetação foi analisada utilizando-se 10 transectos de dimensões 50x2 metros cada um. Foram incluídos na amostragem todos os indivíduos lenhosos com DAP?5,0 cm a 1,30 m do solo. Foi considerada também a necromassa para o mesmo critério de inclusão. A área amostral verificada correspondeu a 0,1 ha. No contexto geral da florística, foram catalogadas 380 espécies. Um total de 25 espécies foram tidas como ameaçadas de extinção para a flora do Espírito Santo, três como possíveis novas descrições, Anthurium sp. nov., Myrcia sp. nov. e Ocotea sp. nov., e, finalmente, três foram de ocorrência restrita ao território capixaba, Casearia espiritosantensis R. Marquete et Mansano, Clusia aemygdioi Gomes da Silva & B.Weinberg e Vriesea capixabae Leme. As ervas e epífitas foram bastante representativas na vegetação com destaque para as famílias Orchidaceae, Bromeliaceae e Polypodiaceae. O componente arbóreo foi o mais importante na análise florística, tendo Myrtaceae e Lauraceae como as famílias de destaque nesta categoria. Com relação à estrutura da vegetação, foram amostrados 561 indivíduos pertencentes a 52 famílias, 96 gêneros e 145 espécies. O índice de Shannon para a área foi de 3,77 nats/ind., enquanto o coeficiente de Pielou foi de 0,76. Euterpe edulis Mart. figurou como a espécie de maior IVI, seguida da necromassa. A estrutura diamétrica seguiu o padrão em “J” invertido, típico de florestas inequiâneas. Para a vegetação lenhosa, Melastomataceae esteve entre as mais importantes famílias, enquanto Fabaceae teve declínio na sua importância, sustentando os conceitos de substituição de famílias de acordo com o gradiente altitudinal. O quantitativo de espécies ameaçadas de extinção aliadas às possíveis novas descrições e às espécies tidas como endêmicas ao estado do Espírito Santo sugerem que a região do entorno da Serra do Caparaó realmente representa uma lacuna aos conhecimentos florísticos no território capixaba, sustentando o conceito de intensificação dos trabalhos de cunho florístico como forma de elucidar a composição das vegetações do Espírito Santo.