Análise estrutural e da vulnerabilidade ambiental de um fragmento florestal de restinga no sul do Estado do Espírito Santo

Análise estrutural e da vulnerabilidade ambiental de um fragmento florestal de restinga no sul do Estado do Espírito Santo

Por: Vinicius Rocha Leite.
Orientador: José Eduardo Macedo Pezzopane.
Defendida em: 01/10/2010.

Resumo:

O objetivo deste estudo foi analisar a vulnerabilidade ambiental de um fragmento florestal de restinga, a estrutura da vegetação lenhosa e a similaridade de seu conjunto florístico comparado a outros remanescentes de Floresta Atlântica. Foi realizado um mapeamento da cobertura e uso da terra no entorno do fragmento florestal, identificando os agentes antrópicos que exercem pressão sobre o fragmento. Através do uso de procedimentos computacionais por meio de um Sistema de Informações Geográficas foi possível a espacialização do modelo de vulnerabilidade. Foram identificados sete agentes antrópicos como causadores de impactos potenciais. O modelo foi eficiente para estudo do impacto ambiental, indicando áreas de maior urgência à mitigação de impactos, sendo a fisionomia geral da vegetação o principal aspecto avaliado para construção de modelo. A análise da estrutura da vegetação foi procedida a partir da alocação de vinte parcelas de área fixa de 20X50 metros cada. A partir da demarcação de todos os indivíduos com DAP ≥ 5 cm a altura de 1,30 m do solo dentro das parcelas, foi procedida à tomada de medidas de diâmetro e altura total dos indivíduos. Foram realizadas coletas de material fértil e estéril dentro e fora das parcelas permanentes. Foram encontrados 2331 indivíduos, sendo 161 espécies em 42 famílias e 91 gêneros. Através de pesquisa em literatura específica constatou-se como recursos florestais não madeireiros e madeireiros a presença de 36 espécies em 23 famílias, considerando os usos para medicina, tecnologia, alimentação, construção, ornamentação e lenha. Estudando a estrutura horizontal observa-se que quase a metade das espécies apresenta a condição de perfilhamento. Com relação à estrutura diamétrica nota-se um padrão típico e a presença de indivíduos de grande porte. A ocupação de diversos estratos da floreta demonstra uma boa regulação da mesma sob esse aspecto. Os índices de diversidade calculados mostraram-se superiores comparados aos valores encontrados para outros remanescentes de floresta de restinga. A avaliação da similaridade florística foi realizada considerando outras florestas de Restinga e remanescentes de floresta estacional semidecidual, tendo como referência a Bacia Hidrográfica do Rio Itapemirim, considerando ainda um banco de dados climáticos com base em temperatura, chuva e balanço hídrico climatológico. Os coeficientes de similaridade não elevados comparando os remanescentes de Restingas revelam uma grande variação florística ao longo do litoral em um curto espaço de território. Os índices de similaridade e alguns dados estruturais da vegetação, comparando a Restinga estudada com as áreas de floresta estacional semidecidual apresentam consonância com a variação climática.