Estudo da fragmentação florestal e da ecologia da paisagem na bacia hidrográfica do rio Itapemirim, ES

Estudo da fragmentação florestal e da ecologia da paisagem na bacia hidrográfica do rio Itapemirim, ES

Por: Daiani Bernardo Pirovani.
Orientador: Aderbal Gomes da Silva.
Defendida em: 26/03/2010.

Resumo:

A fragmentação florestal é resultado de inúmeras perturbações ocorridas com os desmatamentos durante os processos de ocupação territorial. Os fragmentos florestais podem ser considerados como ilhas de diversidade, pois se encontram desconectados de outras formações florestais, cercados por diversos outros usos da terra presentes na paisagem. O processo de fragmentação forma mosaicos na paisagem, constituídos por manchas, corredores e matriz. A ecologia de paisagens é uma ciência que busca quantificar a estrutura dos componentes da paisagem, essa quantificação pode ser realizada com o auxilio de métricas ou índices de ecologia da paisagem aliadas a ferramentas de geotecnologias, como os Sistemas de Informações Geográficas. Este estudo está dividido em dois capítulos e teve como principal objetivo analisar a estrutura da paisagem florestal na bacia do rio Itapemirim, ES por meio de métodos quantitativos com índices de ecologia da paisagem, visando à seleção de áreas aptas para a conservação ambiental; bem como estudar a influência do efeito de borda nos diferentes tamanhos desses fragmentos. O primeiro capítulo contém o mapeamento dos fragmentos florestais de toda área representativa da bacia do rio Itapemirim e a análise dos índices de ecologia da paisagem para três classes de tamanho dos fragmentos, sendo considerados pequenos aqueles com área inferior à 5 ha, médio aqueles com área entre 5 e 50 ha e fragmentos grandes todos aqueles com área superior à 50 ha. Para o cálculo das métricas de ecologia foi utilizada a extensão Patch Analyst dentro do aplicativo computacional ArcGis 9.3. Ao todo foram encontrados 3.285 fragmentos florestais em toda área, representando 17% de cobertura florestal. As caracterizações quantitativas por meio de métricas da paisagem foram feitas com os grupos de índices de área; densidade e tamanho, forma; proximidade e área nuclear; sendo este último obtido para diferentes simulações de efeito de borda (20,40, 60, 80, 100, 140 e 200 m). Para todos os índices houve diferenciações com relação às classes de tamanho dos fragmentos florestais, mostrando que os fragmentos maiores apresentam resultados de métricas da paisagem que indicam a um maior grau de conservação que os fragmentos menores. No segundo capítulo foi realizado mapeamento do uso da terra para os anos de 1970 e 2007 no entorno de duas unidades de conservação presentes na área de estudo, a Reserva Particular de Patrimônio Natural Cafundó e a Floresta Nacional de Pacotuba, ambas na primeira etapa deste trabalho foram consideradas pertencentes ao grupo dos fragmentos grandes. Através do mapa de uso da terra das duas datas, foi possível analisar as mudanças ocorridas no entorno da paisagem das unidades de conservação, quantificando a estrutura da paisagem por meio de métricas para os anos de 1970 e 2007. Ao longo dos 37 anos avaliados houve pouca mudança no uso e ocupação da terra no entorno das unidades, estando as duas áreas dominadas em sua maioria por pastagem. As métricas ou índices de ecologia da paisagem foram obtidos por meio da extensão Patch Analyst ao nível de paisagem e de classe, sendo obtidos valores para as 10 classes de uso e ocupação da terra mapeada. Os resultados da análise quantitativa por meio de métricas apontam para um aumento na fragmentação da paisagem no entorno das Unidades de Conservação RPPN Cafundó e FLONA de Pacotuba.